Iceland Airwaves e 5 dias em Reykjavik

*Post convidado por Adriana Raupp


Desde 1995, quando tinha 9 anos, queria ir à Islândia — curiosidade despertada por amigas de lá que fiz nesse ano. Ao longo do tempo, muitos outros fatos se acrescentaram a essa vontade inicial, principalmente música. O festival Iceland Airwaves virou item da bucket list há muitos anos. Comprei os ingressos um ano antes, sem nem saber quem estava no lineup. Terra de Björk e Sigur Rós não poderia estar errada.


O festival acontece no começo de novembro e dura quatro dias, em várias casas de show, museus, bares e discotecas da capital, Reykjavik. Ficamos de quarta à domingo no centro da cidade e não alugamos carro, quase todos os destinos que marcamos no mapa eram alcançáveis a pé. O traslado do aeroporto para o centro foi feito num ônibus da Airport Direct, muito confortável.


O aeroporto fica a 50 min do centro e nesse trajeto já podemos ter as primeiras impressões dessa parte do país. Muitas vilas com poucas casas, todas perto do mar. Pedras pretas (basalto), para todos os lados, cobertas de neve ou de um musgo que depois descobri ser preservado (já dava pra ver essa vegetação do avião, antes de pousar). Inclusive, o Justin Bieber é quase persona non grata no país, já que caminhou em cima do musgo quando gravou um clipe lá.


Desnecessário, Justin Bieber

Na cidade, a arquitetura é muito diferente do que estou acostumada, em geral, os prédios e casas parecem que não foram modernizados. Por um lado temos uns edifícios que me lembram a estética ocidental dos anos 90, por outro, as casas têm uma arquitetura nórdica muito curiosa mas ao mesmo tempo familiar: lembravam as casas do Midwest norte-americano, principal destino da imigração nórdica dos EUA.



Escolhemos um hotel no centro que tivesse cozinha, pois a fama de o país ser muito caro já era conhecida. Mas confesso que também é uma desculpa para ir ao supermercado local, adoro! Lá fomos comprar mantimentos para o café da manhã e para algumas refeições rápidas cujo único objetivo era aliviar o orçamento. O supermercado tem uma área com laticínios, verduras, carnes e congelados, que não está aquecida, e lá encontrei o Skyr, primeiro item da lista, claro. Nunca comi nada igual, tão grosso que nem cai da colher quando vira de cabeça pra baixo. Bacalhau seco, pronto pra comer, foi o item mais curioso e, como esperava, não é bom.



A cultura de cerveja e café na Islândia são fortes. Muitos cafés pela cidade e opções de diversas origens no supermercado. Já a cerveja, devido ao histórico de alcoolismo, é altamente taxada pelo governo. No supermercado é impossível achar bebidas alcoólicas com mais de 2.25% de percentual alcoólico, se quiser mais do que isso há lojas do governo que vendem de cerveja a vodca, mas têm um horário mais restrito. Esse tipo de loja existe em quase todos os países nórdicos. Nos bares e restaurantes, há opções de cerveja artesanais e convencionais, mas custam bem caro, a boa é aproveitar os happy hours de 2x1 que rolam frequentemente. Para se ter noção, 400 ml de chope artesanal custa uns 9 pounds (48 reais, mas quem converte não se diverte, não é mesmo?).


Vamos ao roteiro por dia nesta cidade:


Dia 1: Chegando


Deixamos as malas no hotel, fomos ao supermercado e descansamos pois o voo foi MUITO cedo.


À noite encontramos minhas amigas no Hlemmur Matholl, um espaço tipo food hall hipster (estilo Time Out de Lisboa, mas menor). Comi um spring roll vietnamita e tomei dois chopes artesanais que doeram no bolso. Depois fomos ver um show no Reykjavik Art Museum.


Dia 2: Saindo da cidade brevemente


Logo pela manhã pegamos o ônibus que faz o traslado para a Blue Lagoon, que fica a 45 min do centro. Achei que ia ser a coisa mais turística do mundo pela quantidade de fotos desse lugar nas redes sociais, mas foi incrível! Recomendo. 2h lá são deliciosas, percebi um pouco como o povo islandês aproveita o dia ao ar livre sem reclamar do tempo frio. Água naturalmente quente a 38º C (aliás a cidade inteira é assim, e por isso o cheiro de enxofre está no ar) e toda a infraestrutura de primeiro mundo, além da natureza ao redor, já que fica longe da cidade.



Mais uma vez, o foco da noite foram os shows, esse foi o dia principal: Shame e Mac DeMarco, que se declarou fã do lobster bisque (sopa de lagosta) da cidade.


Dia 3: Conhecendo Reykjavik


Fizemos um walking tour logo pela manhã, muito bom para conhecer um pouco da história do local. Por exemplo, descobri que antigamente, de tão barato que é a energia na Islândia devido à exploração geotermal, até as calçadas eram aquecidas! A guia também informou que Reykjavik significa baía de vapor, apropriado.


De lá fomos para ao The Fish Company, pedimos uma sopa de lagosta com vieiras e bacalhau. Após o almoço, fomos ao Stofan Café para aquecer um pouquinho mais.

Depois do café continuamos o turismo, passamos algumas horas fotografando todos os ângulos da sala de concerto Harpa e depois passeamos pelas ruas mais fofas do centro, onde não coincidentemente encontram-se quase todas as lojas turísticas. Recomendo a Geysir, que tem roupa e produtos para casa com design islandês, ou a IceWear, caso queira produtos de lã bem quentinhos.


À noite fomos ao Idno ver Blanco White. Adorei esse café com palco e cerveja barata. De lá fomos pra uma igreja, que era na mesma quadra do hotel, onde rolou o concerto do John Grant, foi lindo.


Dia 4: Vivendo como os islandeses


No jornalzinho promocional que recebemos quando buscamos as pulseiras do festival tinha uma matéria sobre piscinas quentes nas redondezas da capital. As sugestões iam desde a Blue Lagoon até uns pequenos poços naturais que só serviam para mergulhar os pés.


Decidimos ir em uma piscina pública que na matéria constava o nome da Björk como frequentadora. Com ou sem ela, a experiência foi incrível. Muito mais barato que a lagoa azul, e muito mais perto. Fiz natação, fiquei na banheira quente junto com os islandeses e caminhei de bíquini molhada a uma temperatura de 2ºC uma distância que deveria ser de 30 metros mas parecia de 5 km.



Fomos andando até o restaurante Icelandic Street Food, pouquíssimas opções, mas todas boas: sopa de lagosta, sopa de ovelha e Fisherman´s Favorite (prato cremoso de batata, bacalhau e hadoque). De sobremesa, sugiro Klarna, uma espécie de donut retorcida islandesa — todo país tem seu bolinho de chuva!


Fisherman's Favorite

Caldo de lagosta

O jantar desse dia foi o hot dog do Bill Clinton, uma barraca de rua onde o ex-presidente foi fotografado comendo (engraçado que esta já é a segunda vez que como a mesma comida que o Bill Clinton, a primeira foi num fondue em Genebra).


Por último, fomos aproveitar o final da tarde do alto da Hallgrimskirkja, a famosa igreja de Reykjavik cujo desenho é inspirado nas formações basálticas de outras partes do país. Eu, que já estava apaixonada pela cidade, vendo ela de cima, junto com as montanhas cobertas de neve ao fundo, não tive dúvidas de que voltaria, mas da próxima vez vou no verão porque ninguém merece aquele vento gelado!


P.s.: Claro que tentei ver aurora boreal, mas o tempo não contribuiu… todos os dias olhava o site, mas vai ficar pra uma próxima vez que não estiver nublado.