Roteiro: 3 dias em Montevidéu

Montevidéu é uma cidade fácil de amar. Tranquila, segura, cheia de parques, cheiro de parrilla no ar e muito wi-fi grátis. E, olha, como se come bem.


Estive lá com meu namorado em setembro de 2019. Apesar de ser uma cidade que chove muito, tive sorte e não peguei nem um dia de chuva. Em compensação, muito vento, o tempo todo. A cidade não tem montanhas, um morrinho sequer, e é costeada pelo mar. Por isso, mesmo no auge do verão, vale levar um casaquinho corta-vento na mala.


Mas vamos ao que interessa.


Três dias em Montevidéu é suficiente para conhecer os pontos altos da cidade que, para uma capital, é muito pequena em tamanho e número de habitantes — cerca de 1 milhão e 300 mil. Porém, se comparada ao restante do Uruguai, é superpopulada: o paisito conta com um total de menos de 3 milhões e 500 mil habitantes. Mas ficar mais dias por lá também não é má ideia, já que é uma cidade agradável de ficar à toa nos parques e ramblas (as orlas de lá).


DIA 1: Ciudad Vieja


Comece o dia na Ciudad Vieja, bairro que antes abrigou a antiga cidade datada de 1724. Nessa época a cidade era cercada de canhões e uma muralha que envolvia toda a cidade. Montevidéu também era protegida por dois fortes, um chamado Ciudadela, que ficava onde hoje é a Plaza Independencia e outro onde fica a atual Plaza Zabala. Os fortes e a muralha não existem mais, mas da cidadela ainda resta uma porta de entrada, que funciona como um portal para o bairro.


PONTOS DE INTERESSE

Puerta de la Ciudadela, Plaza Independencia, Mausoléu de José Artigas, Peatonal Sarandí, Teatro Solís, Basília Inmaculada Concepción, Café Brasilero, Palácio Taranco e Plaza Zabala. Veja um roteiro desses pontos com mapa aqui.


ONDE COMER

Neste trajeto você encontrará algumas opções legais para fazer uma boquinha. Para um lanche, café da manhã ou um pit stop para uma cerveja, recomendo o Café Brasilero (Ituzaingó, 1447). O cardápio é variado e o café parece uma volta no tempo com seu clima de século passado.


Para uma fome de almoço, definitivamente recomendo o Lucca (Sarandí, 368). Além da comida maravilhosa, o ambiente é fresco, contemporâneo e ainda conta com mesas do lado de fora em uma rua somente para pedestres. O cardápio é enxuto — o que eu pessoalmente acho ótimo —, com poucas e boas opções. No menu há várias opções de entrada e quatro opções de prato principal: carne, massa, peixe ou arroz. Fomos na carne (um bife ancho que ganhou o pódio de melhor bife que comemos no Uruguai) e na massa (um ravióli de abóbora com pancetta crocante imperdível).


Os pratos saem por cerca de UYU500.


Crédito das imagens


Seguindo viagem, vá caminhando até o Mercado do Porto. Você perceberá que a cidade ganhará novos ares, típicos das zonas portuárias. Para quem conhece o Mercado Municipal de São Paulo, o Mercado Modelo de Salvador ou até o Mercado da Ribeira de Lisboa, o mercado de Montevidéu não impressiona.


Mesmo assim, achei que valeu a visita — tem um quê de decadente que o torna interessante. Lá você encontrará muitas casas tradicionais de parrilla e um cheiro irresistível de churrasco na brasa. Para entrar no clima do lugar, pare para tomar uma gelada no balcão de um dos bares e petiscar um assado.


Depois do mercado, dê um passeio pela rambla à caminho do Barrio Sur/Palermo. Montevidéu é uma cidade muito segura e agradável de se andar a pé. Seguindo essa rota você pegará uma parte da caminhada pela praia e outra pelas ruas de dentro, onde dá para ver bem o movimento do comércio, com boas lojas pelo caminho. Se estiver com preguiça, dá para pegar um Uber, mas se estiver na disposição, em mais ou menos 40 minutos você chegará ao Candy Bar (Durazno, 1402). Excelentes drinks, cerveja gelada, comida estilo espanhola divina e preços surpreendentemente mais acessíveis do que a média dos restaurantes de Montevidéu.

DIA 2: Varela Zarranz e Punta Carretas


O Uruguai é famoso pela produção de vinhos e azeites e por sua uva nacional, a tannat. Nos arreadores de Montevidéu há muitas vinícolas, principalmente nas regiões de Canelones e Joaquín Suarez. É imperdível para quem está na cidade, e as distâncias não são longas, cerca de 50 minutos de carro.


Pesquisei muito antes de escolher a vinícola que visitaríamos e acabei decidindo pela Varela Zarranz, uma vinha familiar que produz desde 1933 — as excelentes avaliações no Trip Advisor bateram o martelo na decisão.


O passeio não é barato: varia de USD30 (degustação clássica) a USD75 (degustação super premium). Nós optamos pela degustação com almoço harmonizado, que custou USD65 por pessoa. Contei mais detalhes dessa experiência aqui, mas já adianto: pra mim valeu cada centavo. Experimentamos 5 vinhos (com direito a repeteco) e fizemos um almoço delicioso com entrada, prato principal e sobremesa. Reserve cerca de 5h de