Vinícola Varela Zarranz Montevidéu

O Uruguai é conhecido pela produção de vinhos e carnes e tem uma localização privilegiada para as duas coisas. A uva nacional de lá é a tannat, de origem francesa, e muito bem cultivada pelos produtores uruguaios.


O país é repleto de vinícolas e suas produções de uva estão localizadas na mesma latitude que vinhedos de lugares tradicionais como Mendoza, na Argentina, Chile, Nova Zelândia e África do Sul. Seja na região de Montevidéu ou nas proximidades de Punta del Este, há produções de vinho de todas as qualidades na região.


Eu adoro vinho. Fiz uma viagem curta ao Uruguai em setembro de 2019 e é óbvio que eu tinha que conhecer alguma vinícola. Como não tinha muito tempo, só tive a oportunidade de visitar uma, a Varela Zarranz. Pesquisei muito antes de escolher e, depois de muitas dúvidas (afinal sou libriana e a quantidade de viñas no Uruguai não ajuda), acabei me decidindo com base em dicas de moradores locais e do Trip Advisor, onde as avaliações da Varela Zarranz eram bem superiores comparadas às das outras vinícolas da minha lista.


Esta viña oferece vários tipos de degustação com visita guiada (o preço varia pouco de uma vinícola para a outra). O passeio mais simples, com degustação de quatro vinhos e tábua de queijos e frios, sai por USD30 por pessoa. A degustação premium conta com cinco rótulos, tábua de queijos e frios, empanadas e sobremesa e sai por USD45. Eles também oferecem a degustação com almoço, que foi a que fizemos, por USD65, e a degustação super premium, com 6 rótulos, queijos e sobremesa, por USD75.


É possível contratar o traslado de ida e volta (USD30 por pessoa) saindo de Montevidéu. Como o preço do traslado é alto, eu e meu namorado optamos por ir de Uber (deu metade do valor). Porém, ao chegar, descobrimos que seria difícil conseguir um Uber para a volta, pois a vinícola fica num lugar isolado, mas no fim deu tudo certo: conseguimos um motorista conhecido do pessoal da viña que nos buscou e cobrou o mesmo preço do Uber.


Degustação


Fundada pelo empresário e político Diego Pons em 1888, a vinícola fica em uma propriedade superbonita, cheia de eucaliptos e palmeiras canárias gigantes. Para chegar ao lugar da degustação, passamos por um caminho de terra cheia de oliveiras enormes (que dão fruto!), o Camino de Olivos.


Quem nos recebeu foi a Victoria Varela, filha do atual proprietário — um amor de pessoa, super atenciosa e que fala português.


Começamos a visita na sala de degustação olhando alguns rótulos e conhecendo os diferentes tipos de vinho que produzem, que vão de vinhos mais populares, inclusive vinhos de lata, até vinhos finíssimos e premiados.

Depois fomos para o lado de fora, onde caminhamos pelas oliveiras e pelas diferentes plantações de uva. De lá passamos para o galpão onde as uvas são selecionadas, maceradas e armazenadas para fermentação. Todo o processo é bem interessante e demorado — depois disso passei a valorizar mais cada taça de vinho que tomo!


Nesta parte não vimos ninguém trabalhando, pois a colheita, que acontece no início do ano, já havia sido feita há meses. Mesmo assim deu pra sentir o cheiro de uva fermentada no ar.


Foi só na confecção de vinhos frisantes que vimos toda a cadeia de produção do espumante María Zarranz Extra Brut, que é totalmente manual. Da levedura que dá as bolhas ao vinho até o processo de engarrafamento e descanso, é um longo processo. E isso justifica o preço das garrafas, que são mais caras que os vinhos comuns. Neste ponto também entramos na câmara onde as garrafas de espumante ficam descansando por meses e conhecemos os enormes barris originais de 1888 onde os vinhos eram armazenados na época do Diego Pons.


O tour durou cerca de 1 hora e acabou na sala de degustação. Quando chegamos já havia uma mesa posta com uma tábua bem linda de queijos e pãezinhos. Demos muita sorte de não ter mais ninguém na vinha, e nosso almoço foi totalmente privativo. Fica a dica de ir na baixa temporada e em dia de semana ;)



Começamos com um vinho branco bem fresco, o Petit Grain Muscat e logo depois um cabernet sauvignon rosé. O branco foi meu favorito de toda a degustação.


Depois o almoço foi servido harmonizado com um cabernet com tannat: filé mignon recheado com pancetta e queijo, acompanhado de batata doce laranja e batata inglesa. Estava tudo muito bom. Depois desse tinto veio mais um, dessa vez só tannat. Eu como muito devagar então bebemos várias taças desses (elas não ficaram vazias nem um minuto).



Dica: se você tiver alguma restrição alimentar, avise quando fizer a reserva, pois o menu foi surpresa.


A sobremesa foi um caso a parte: sorvete de creme com calda de Tannat, peras e canela -- tão boa que não teve nem foto. Apesar de não ser muito fã de doce, achei que estava das deusas. Pra acompanhar, tomamos uma taça do espumante María Zarranz, que vimos no tour.


Antes de ir embora ainda compramos algumas garrafas com preços ótimos, que começavam em UYU 200 (cerca de R$25) com os vinhos da linha OMM, que são frescos, com tampa de rosca, bons pra tomar bem gelado no calor. Como no dia seguinte o plano era ir a José Ignácio, levamos uma garrafa do Petit Grain Muscat e uma do rosé OMM Marselán, uma uva bem gostosa que não conhecíamos, pra tomar na praia. E assim fizemos!

As reservas na vinícola podem ser feitas online neste link.


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Dica: próximo de José Ignácio e Laguna Garzón há a Bodega Garzón. Não conhecemos, mas um amigo próximo falou que a visita foi imperdível. Nós experimentamos vários rótulos da Garzón e são mesmo ótimos. Além de vinhos, lá são produzidos azeites maravilhosos, que também provamos na casa desse amigo.